Visão geral e aspectos clínicos do glaucoma em bebês e crianças
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p3528-3537Palavras-chave:
Glaucoma, Manejo, Bebês, CriançasResumo
Introdução: O glaucoma representa um grupo heterogêneo de doenças oculares com neuropatia óptica progressiva, manifestada pela escavação do disco óptico e, geralmente, associada ao aumento da pressão intraocular (PIO). Pode levar a danos no nervo óptico e consequente perda visual. A perda da visão periférica ocorre primeiro, mas se o glaucoma não for tratado, pode levar à perda da visão central e à cegueira completa. Em bebês e crianças pequenas, podem ocorrer danos adicionais ao sistema visual, incluindo erro refrativo grande e potencialmente assimétrico, edema ou cicatrizes da córnea, astigmatismo, estrabismo e ambliopia. O diagnóstico e o encaminhamento precoces são cruciais para garantir o resultado visual ideal. Objetivo: compreender a visão geral do glaucoma em bebês e crianças. Metodologia: Revisão de literatura a partir de bases da Scielo, da PubMed e da BVS, de março a maio de 2024, com descritores “glaucoma”, “management”, “babies”, e “children”, cadastrados no DeCS/MeSH e operador “AND”. Incluíram-se artigos de 2019-2024 (total 181), com exclusão de outros critérios e escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e Discussão: O glaucoma pode ser classificado quanto ao ângulo da câmara anterior (aberto/fechado) e primário/secundário. O de ângulo aberto é o mais comum em crianças e adultos, com perda progressiva do campo visual periférico seguida de perda de campo central em um padrão típico. Quando primário, há malformação angular isolada (trabeculodisgênese), sendo raro na infância e com início nos primeiros anos de vida. A idade em que os sintomas aparecem pela primeira vez provavelmente está relacionada à gravidade da disgênese angular. Se juvenil, aparece após 4-5 anos de idade. Geralmente são assintomáticos e o dano ao nervo óptico é oculto. O diagnóstico é dado pelo dano ao nervo óptico no exame do fundo de olho tipicamente na presença de PIO elevada e déficit de campo visual. Na maioria dos casos, há histórico familiar positivo. A intervenção cirúrgica é base terapêutica e medicamentos são adjuvantes. A frequência de acompanhamento depende da gravidade. Quando secundário, é adquirido ou relacionado à anormalidade ocular subjacente, em qualquer idade e pode estar presente no nascimento (ex: tumores, trauma, glicocorticoides, retinotipatia da prematuridade). O diagnóstico é confirmado com exame de fundo, tonometria e campimetria. Conclusão: Glaucoma é a segunda principal causa de cegueira no mundo. A neuropatia óptica nem sempre apresenta aumento da pressão intraocular, o que pode atrasar o diagnóstico. Faz-se importante o reconhecimento e diagnóstico precoce, bem como acompanhamento com oftalmologista na infância.
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