Visão geral e aspectos clínicos do glaucoma em bebês e crianças

Autores

  • CAMILLA MAGANHIN LUQUETTI Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
  • Carolina Laperuta Pauletti Faculdade Santa Marcelina - FASM
  • Thays Ferray Soares Instituto Metropolitano de Ensino Superior - IMES
  • Fernanda Abensur Fróes Ramos Faculdades Integradas Aparício Carvalho - FIMCA (Porto Velho/RO)
  • Isabel Caroline Zanatta Pedon Faculdade Atitus Educação - Passo Fundo/RS
  • Paulo Henrique Fabiano Zamora Universidade do Sul de Santa Catarina
  • Luíza Nascimento Santos Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB
  • Anna Isabel Rocha de Oliveira Universidade Federal do Rio Grande - FURG
  • Júlia Sousa Grego Universidad Privada María Serrana - Paraguai
  • Pedro Pomarico de Oliveira Universidade Presidente Antônio Carlos de Juiz de Fora (UNIPAC-JF)
  • Carla Cristina Maganhin Pós-Doutorado - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
  • Elson Assunção de Andrade Lima Júnior Universidade Federal do Acre - UFAC
  • ISIS MARCONDES SODRÉ DE ALMEIDA Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p3528-3537

Palavras-chave:

Glaucoma, Manejo, Bebês, Crianças

Resumo

Introdução: O glaucoma representa um grupo heterogêneo de doenças oculares com neuropatia óptica progressiva, manifestada pela escavação do disco óptico e, geralmente, associada ao aumento da pressão intraocular (PIO). Pode levar a danos no nervo óptico e consequente perda visual. A perda da visão periférica ocorre primeiro, mas se o glaucoma não for tratado, pode levar à perda da visão central e à cegueira completa. Em bebês e crianças pequenas, podem ocorrer danos adicionais ao sistema visual, incluindo erro refrativo grande e potencialmente assimétrico, edema ou cicatrizes da córnea, astigmatismo, estrabismo e ambliopia. O diagnóstico e o encaminhamento precoces são cruciais para garantir o resultado visual ideal. Objetivo: compreender a visão geral do glaucoma em bebês e crianças. Metodologia: Revisão de literatura a partir de bases da Scielo, da PubMed e da BVS, de março a maio de 2024, com descritores “glaucoma”, “management”, “babies”, e “children”, cadastrados no DeCS/MeSH e operador “AND”. Incluíram-se artigos de 2019-2024 (total 181), com exclusão de outros critérios e escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e Discussão: O glaucoma pode ser classificado quanto ao ângulo da câmara anterior (aberto/fechado) e primário/secundário. O de ângulo aberto é o mais comum em crianças e adultos, com perda progressiva do campo visual periférico seguida de perda de campo central em um padrão típico. Quando primário, há malformação angular isolada (trabeculodisgênese), sendo raro na infância e com início nos primeiros anos de vida. A idade em que os sintomas aparecem pela primeira vez provavelmente está relacionada à gravidade da disgênese angular. Se juvenil, aparece após 4-5 anos de idade. Geralmente são assintomáticos e o dano ao nervo óptico é oculto. O diagnóstico é dado pelo dano ao nervo óptico no exame do fundo de olho tipicamente na presença de PIO elevada e déficit de campo visual. Na maioria dos casos, há histórico familiar positivo. A intervenção cirúrgica é base terapêutica e medicamentos são adjuvantes. A frequência de acompanhamento depende da gravidade. Quando secundário, é adquirido ou relacionado à anormalidade ocular subjacente, em qualquer idade e pode estar presente no nascimento (ex: tumores, trauma, glicocorticoides, retinotipatia da prematuridade). O diagnóstico é confirmado com exame de fundo, tonometria e campimetria. Conclusão: Glaucoma é a segunda principal causa de cegueira no mundo. A neuropatia óptica nem sempre apresenta aumento da pressão intraocular, o que pode atrasar o diagnóstico. Faz-se importante o reconhecimento e diagnóstico precoce, bem como acompanhamento com oftalmologista na infância.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Weinreb RN, Khaw PT. Glaucoma primário de ângulo aberto. Lancet 2004; 363:1711.

Kingman S. O glaucoma é a segunda principal causa de cegueira em todo o mundo. Bull Órgão Mundial de Saúde 2004; 82:887.

Tham YC, Li X, Wong TY, et al. Prevalência global de glaucoma e projeções de carga de glaucoma até 2040: uma revisão sistemática e meta-análise. Oftalmologia 2014; 121:881.

Sommer A, Tielsch JM, Katz J, et al. Diferenças raciais na prevalência de cegueira por causa específica no leste de Baltimore. N Engl J Med 1991; 325:1412.

Kapetanakis VV, Chan MP, Foster PJ, et al. Variações globais e tendências temporais na prevalência do glaucoma primário de ângulo aberto (POAG): uma revisão sistemática e meta-análise. Br J Ophthalmol 2016; 100:86.

Quigley HA, Broman AT. O número de pessoas com glaucoma em todo o mundo em 2010 e 2020. Br J Ophthalmol 2006; 90:262.

Friedman DS, Wolfs RC, O'Colmain BJ, et al. Prevalência de glaucoma de ângulo aberto entre adultos nos Estados Unidos. Arch Ophthalmol 2004; 122:532.

Ang GS, Eke T. Prognóstico visual ao longo da vida para pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto. Olho (Londa) 2007; 21:604.

Richman J, Lorenzana LL, Lankaranian D, et al. Relações em pacientes com glaucoma entre testes de visão padrão, qualidade de vida e capacidade de realizar atividades diárias. Epidemiol Oftálmico 2010; 17:144.

Kipp MA. Glaucoma infantil. Pediatr Clin North Am 2003; 50:89.

Hoskins HD Jr, Shaffer RN, Hetherington J. Classificação anatômica dos glaucomas do desenvolvimento. Arch Ophthalmol 1984; 102:1331.

Sinha G, Patil B, Sihota R, et al. A perda do campo visual no glaucoma congênito primário. J AAPOS 2015; 19:124.

Beck AD. Diagnóstico e manejo do glaucoma pediátrico. Ophthalmol Clin North Am 2001; 14:501.

Tawara A, Inomata H. Imaturidade do desenvolvimento da malha trabecular no glaucoma juvenil. Am J Ophthalmol 1984; 98:82.

Goldwyn R, Waltman SR, Becker B. Glaucoma primário de ângulo aberto em adolescentes e jovens adultos. Arch Ophthalmol 1970; 84:579.

Johnson AT, Drack AV, Kwitek AE, et al. Características clínicas e análise de ligação de uma família com glaucoma juvenil autossômico dominante. Oftalmologia 1993; 100:524.

Alward WL, Fingert JH, Coote MA, et al. Características clínicas associadas a mutações no gene do glaucoma de ângulo aberto do cromossomo 1 (GLC1A). N Engl J Med 1998; 338:1022.

Trigler L, Weaver RG Jr, O'Neil JW, et al. Série de casos de glaucoma de fechamento angular após tratamento a laser para retinopatia de prematuridade. J AAPOS 2005; 9:17.

Kwitko ML. Glaucoma secundário na infância e na infância. Uma revisão. Can J Ophthalmol 1969; 4:231.

Downloads

Publicado

2024-08-21

Como Citar

MAGANHIN LUQUETTI, C., Laperuta Pauletti, C., Ferray Soares, T., Abensur Fróes Ramos, F., Caroline Zanatta Pedon, I., Fabiano Zamora, P. H., Nascimento Santos, L., Rocha de Oliveira, A. I., Sousa Grego, J., Pomarico de Oliveira, P., Cristina Maganhin, C., Assunção de Andrade Lima Júnior, E., & ALMEIDA, I. M. S. D. (2024). Visão geral e aspectos clínicos do glaucoma em bebês e crianças. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(8), 3528–3537. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p3528-3537