Resumo
O estudo epidemiológico realizado no Paraná entre 2019 e 2023 analisou 5.104 casos de meningite, dos quais 2.671 ocorreram em crianças de 0 a 14 anos. A condição, caracterizada pela inflamação das membranas cerebrais, representa uma significativa carga para os serviços de saúde, especialmente na faixa pediátrica, onde é uma das principais causas de morbidade e mortalidade. Os dados revelaram uma predominância da doença em crianças menores de um ano, responsáveis por 42,4% dos casos estudados. A faixa etária de 1 a 4 anos também apresentou uma alta incidência, com aproximadamente 30% dos registros. Esses números refletem a vulnerabilidade desses grupos devido à imaturidade do sistema imunológico e à exposição frequente a ambientes fechados. Em relação à etiologia, as meningites virais foram as mais frequentes, correspondendo a 64,95% dos casos analisados, seguidas pelas bacterianas com 21%. A análise por sexo mostrou uma ligeira predominância de casos em crianças do sexo masculino (59,19%) em comparação com o sexo feminino (40,8%). Quanto à raça, houve um predomínio significativo de crianças brancas (69,84%) entre os casos notificados, com menor representação de crianças pardas, pretas, amarelas e indígenas. Em termos de evolução clínica, a maioria dos casos resultou em alta hospitalar (92,54%), destacando-se uma taxa de mortalidade baixa (2,5%). Esse cenário sugere uma resposta eficaz ao tratamento, provavelmente impulsionada pelo uso de antibioticoterapia e melhores práticas médicas. Em conclusão, o estudo sublinha a importância contínua das campanhas de vacinação e medidas preventivas para reduzir a incidência de meningite, especialmente em grupos vulneráveis como crianças pequenas. Além disso, ressalta a necessidade de monitoramento epidemiológico constante para adaptar estratégias de saúde pública e garantir uma resposta eficaz à doença.
Referências
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