Resumo
Introdução: A neuroinflamação tem se mostrado um fator crucial na compreensão da depressão, uma condição que afeta cerca de 264 milhões de pessoas em todo o mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde .A relação entre inflamação e saúde mental é um campo de pesquisa crescente, que busca entender como os processos inflamatórios podem influenciar a gravidade e a resposta ao tratamento da depressão. Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar a intersecção entre neuroinflamação e depressão, enfatizando a importância dos biomarcadores inflamatórios na patogênese da depressão e na potencialização de intervenções terapêuticas. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa utilizando a plataforma PubMed, com a estratégia de busca "Inflammation OR neuroinflammation AND depression OR mood disorders AND anti-inflammatory agents". Foram aplicados filtros para restringir a busca a artigos de ensaios clínicos, ensaios clínicos randomizados, revisões e revisões sistemáticas com metanálise, publicados entre 2019 e 2025. Após a triagem inicial de 142 estudos, 19 artigos foram selecionados para análise detalhada. Resultados: A ativação de células gliais, como microglia e astrócitos, e a liberação de citocinas inflamatórias, como interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), desempenham papéis significativos na gravidade dos sintomas depressivos. Níveis elevados de biomarcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR), estão associados a uma maior severidade dos sintomas, sugerindo que a avaliação desses marcadores pode ser útil na estratificação de pacientes e na personalização do tratamento. Conclusão: A identificação de biomarcadores inflamatórios é promissora para o aprimoramento do diagnóstico e do manejo da depressão, indicando que intervenções anti-inflamatórias podem melhorar os resultados clínicos. A compreensão do papel da neuroinflamação na depressão não apenas enriquece o conhecimento sobre sua fisiopatologia, mas também abre novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias direcionadas, contribuindo assim para a saúde mental global.
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