Resumo
Introdução: A DP é o segundo distúrbio neurodegenerativo mais comum. A maioria dos casos não se origina de fatores puramente genéticos, implicando um importante papel dos fatores ambientais na patogênese da doença. Toxinas ambientais bem estabelecidas são importantes na DP e podem incluir pesticidas, herbicidas e metais pesados. Diante da importância deste tema, esse trabalho tem como objetivo enfatizar, por meio de uma revisão bibliográfica, a exposição crônica aos agrotóxicos como fator de risco para desenvolver a doença de Parkinson. Metodologia: O presente estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura sobre a exposição crônica aos agrotóxicos como fator de risco para desenvolver a doença de Parkinson. . A busca de artigos foi realizada nas bases eletrônicas: Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, GOOGLE ACADÊMICO, portais "on-line" de notícias e Base da Legislação Federal (REFLEGIS), utilizando os descritores: pesticida, parkinson e doença de Parkinson. Resultados: entre os produtos químicos utilizados na agricultura, destaca-se o dimetil-4,4'-bipiridínio (paraquat). Este herbicida tem uma estrutura semelhante à do 1-metil-4-fenil-1,2,3-tetrahidropiridina (MPTP), um composto conhecido por induzir parkinsonismo e atuar como neurotóxico. Além disso, os pesticidas organofosforados (OP) representam o maior grupo de inseticidas utilizados na agricultura, podendo ter efeito sobre o sistema dopaminérgico do estriado, contribuindo para stress oxidativo e perturbação das funções mitocondriais. Conclusão: O estudo atual revelou uma conexão entre a exposição prolongada a agrotóxicos e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, com ênfase na Doença de Parkinson (DP). Esse cenário destaca a necessidade de mais pesquisas para aumentar a conscientização sobre os efeitos prejudiciais dos agrotóxicos.
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