Resumo
A dengue é uma das arboviroses mais prevalentes no Brasil, caracterizada por um padrão sazonal de incidência. Este estudo tem como objetivo analisar a sazonalidade da dengue no Brasil entre 2015 e 2024, avaliando a distribuição temporal dos casos e suas possíveis relações com fatores climáticos e epidemiológicos. Trata-se de um estudo epidemiológico analítico-descritivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), extraídos do DATASUS. Foram analisadas as notificações de dengue no Brasil no período de 2015 a 2024, considerando a distribuição mensal dos casos. Os dados evidenciaram um padrão sazonal, com maior incidência entre janeiro e maio, representando mais de 70% dos casos anuais. Em 2024, os três primeiros meses do ano concentraram 45% das notificações. A análise interanual mostrou ciclos epidêmicos, com períodos de alta transmissão seguidos por anos de menor incidência. O ano de 2024 apresentou um crescimento alarmante de 326,6% em relação a 2023. A sazonalidade observada está associada a fatores climáticos, como temperatura e chuvas, que influenciam a proliferação do vetor. Além disso, a circulação de diferentes sorotipos contribui para os ciclos epidêmicos. O aumento expressivo de casos em 2024 sugere a necessidade de reforço nas medidas de controle e prevenção, incluindo vacinação e intensificação das ações nos meses críticos. A sazonalidade da dengue no Brasil deve ser considerada no planejamento das políticas públicas. Estratégias preventivas baseadas na dinâmica temporal da doença podem otimizar recursos e reduzir a carga da dengue no país.
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