Resumo
As neuropatias periféricas (NP) constituem um grupo heterogêneo de doenças que afetam os nervos periféricos, resultando em sintomas como dor, fraqueza muscular e perda de sensibilidade. O avanço nas técnicas de diagnóstico, como exames genéticos, biomarcadores e tecnologias de imagem, tem permitido a detecção precoce dessas condições, o que favorece uma abordagem terapêutica mais eficaz e personalizada. A identificação rápida das neuropatias é crucial para melhorar o prognóstico, possibilitando a implementação de tratamentos mais adequados desde os estágios iniciais da doença. No tratamento, as terapias imunológicas, como a imunoglobulina intravenosa (IVIg) e a plasmaferese, são amplamente utilizadas no manejo das neuropatias autoimunes e continuam apresentando bons resultados. Contudo, devido à resposta variável entre os pacientes, há uma crescente necessidade de terapias mais direcionadas e personalizadas. Nesse contexto, as terapias biológicas, como os anticorpos monoclonais e moduladores de células T, têm mostrado grande potencial, especialmente em casos refratários ou mais complexos, oferecendo novas alternativas quando os tratamentos convencionais não têm sucesso. Apesar do potencial das terapias biológicas, existem desafios significativos relacionados ao custo elevado e à necessidade de monitoramento rigoroso dos pacientes para prevenir efeitos adversos, como infecções e reações alérgicas. O alto custo dessas terapias pode limitar seu acesso em sistemas de saúde com recursos restritos, o que exige uma avaliação criteriosa de risco e benefício para garantir a eficácia do tratamento. A personalização do tratamento, com base no perfil genético e imunológico de cada paciente, surge como uma tendência crescente, visando maximizar a eficácia terapêutica e minimizar efeitos colaterais. Além dos tratamentos farmacológicos, as terapias não medicamentosas, como a fisioterapia e a terapia ocupacional, desempenham um papel fundamental no controle dos sintomas das neuropatias periféricas, especialmente no alívio da dor neuropática e na preservação da função motora. Essas abordagens complementares são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e proporcionar uma recuperação mais completa. Métodos adicionais, como a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), também têm se mostrado eficazes no controle da dor em neuropatias. A continuidade das pesquisas científicas é fundamental para o avanço no tratamento das neuropatias periféricas. O desenvolvimento de novos biomarcadores, terapias mais eficazes e menos invasivas, e a compreensão mais aprofundada dos mecanismos patológicos dessas doenças são necessários para oferecer melhores opções terapêuticas. Ensaios clínicos rigorosos são necessários para testar novas abordagens, garantindo sua segurança e eficácia antes de sua aplicação clínica. A medicina de precisão, que busca um tratamento personalizado baseado nas características genéticas e imunológicas dos pacientes, está se consolidando como uma estratégia promissora no manejo das neuropatias periféricas. A incorporação de tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, também pode melhorar a detecção precoce e o acompanhamento das doenças, aprimorando a personalização do tratamento. Em resumo, o tratamento das neuropatias periféricas está evoluindo para se tornar mais centrado no paciente, com terapias mais eficazes, menos invasivas e com melhores resultados na qualidade de vida dos pacientes.
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