Resumo
A icterícia fisiológica, que ocorre em cerca de 60% dos recém-nascidos a termo, é geralmente benigna, autolimitada e não está associada a complicações graves. Já a icterícia patológica é mais complexa, podendo indicar problemas subjacentes, como doenças hematológicas, infecciosas ou hepáticas, e, se não tratada adequadamente, pode resultar em complicações graves. O objetivo deste estudo é explorar as principais complicações associadas à icterícia neonatal, com ênfase nas condições que podem resultar da elevação excessiva da bilirrubina, como o kernicterus e os efeitos a longo prazo no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, a qual investigou sobre as complicações da icterícia neonatal, pela coleta de dados nas plataformas PubMed, LILACS, Periódicos CAPES, EMBASE e Scielo, dos últimos 5 anos. Assim, A presente revisão da literatura evidenciou as complexas e variadas complicações associadas à icterícia neonatal, particularmente em bebês prematuros, com ênfase nas repercussões neurológicas induzidas pela hiperbilirrubinemia, como a encefalopatia bilirrubínica aguda (ABE) e o kernicterus. Os estudos revisados confirmaram que a prematuridade, caracterizada pela imaturidade hepática e maior destruição de glóbulos vermelhos, constitui um fator de risco significativo para o desenvolvimento de hiperbilirrubinemia grave, com um impacto direto na saúde neurológica dos neonatos. A identificação precoce da icterícia, associada ao tratamento imediato, como a fototerapia e, em casos mais graves, a exsanguinotransfusão, demonstrou ser essencial para a prevenção de sequelas irreversíveis, como paralisia cerebral, perda auditiva e déficits cognitivos.
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