Resumo
Introdução: A meningite meningocócica é um processo inflamatório do espaço subaracnóideo e das membranas leptomeníngeas, de origem infecciosa, cujo agente etiológico é a bactéria Neisseria meningitidis (meningococo). Objetivo: Analisar as notificações de casos de meningite meningocócica nos últimos 15 anos no Brasil, focando nos impactos da vacinação e na incidência, além de avaliar a efetividade das estratégias de saúde pública no controle da doença. Metodologia: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo baseado em dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) publicados entre 2009 a 2023. Foram coletadas informações sobre casos de meningite meningocócica e meningococcemia, incluindo variáveis demográficas, taxas de mortalidade, diagnóstico e sorogrupos detectados. As variáveis foram organizadas, resumidas, descritas e comparadas por meio de métodos de Estatística Descritiva. A análise incluiu dados de notificações, óbitos e cobertura vacinal, complementada por revisão bibliográfica. Resultados: Entre 2009 e 2023, o Brasil registrou 22.601 casos de meningite meningocócica. Desses, 15.767 evoluíram para alta e 4.864 resultaram em óbitos por meningite. A região Sudeste teve o maior número de casos absolutos (n=14.333), seguida pelo Nordeste (n=3.593), Sul (n=2.501), Centro-Oeste (n=1.184) e Norte (n=990). Em relação ao sexo, 56,28% (n=12.722) dos casos foram em homens. O sorogrupo C foi responsável pela maioria dos casos, representando 33,99% (n=7.682) do total, seguido pelo sorogrupo B com 10,95% (n=2.474). A cobertura vacinal contra o meningococo C foi acima de 90% entre 2010 e 2016, mas caiu para 72,17% em 2021. Conclusão: Houve uma tendência de queda nos casos e óbitos ao longo dos anos, porém observou-se um aumento em 2022, após a pandemia de COVID-19. A diminuição da cobertura vacinal também pode estar correlacionada com o aumento nos casos e óbitos em 2022 e 2023. O sorogrupo C apresentou maior incidência, mas o sorogrupo B também mostrou variações significativas ao longo do período analisado.
Referências
APARECIDO NUNES, A. et al. Meningococcal disease epidemiology in Brazil (2005–2018) and impact of MenC vaccination. Vaccine, v. 39, n. 3, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33358262/
BATISTA, R. S. et al. Meningococcal disease, a clinical and epidemiological review. Asian Pacific Journal of Tropical Medicine, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29203096/
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde : volume 1 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. – 6. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_6edrev_v1.pdf ISBN 978-65-5993-506-2
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/
HAZELZET, J. A. Diagnosing meningococcemia as a cause of sepsis. Pediatric Critical Care Medicine, 2005. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15857559/
OHM, M. et al. Vaccine Impact and Effectiveness of Meningococcal Serogroup ACWY Conjugate Vaccine Implementation in the Netherlands: A Nationwide Surveillance Study. Clinical Infectious Diseases, v. 74, n. 12, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34525199/
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Doença meningocócica invasiva: casos relatados e incidência. Genebra: OMS, 2024. Disponível em: https://immunizationdata.who.int/global/wiise-detail-page/invasive-meningococcal-disease-reported-cases-and-incidence?CODE=Global&YEAR=.
OORDT-SPEETS, A. M. et al. Global etiology of bacterial meningitis: A systematic review and meta-analysis. PLoS ONE, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29889859/
PARIKH, S. R. et al. The everchanging epidemiology of meningococcal disease worldwide and the potential for prevention through vaccination. Journal of Infection, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32504737/
PROCIANOY, G. S. et al. Impacto da pandemia do COVID-19 na vacinação de crianças de até um ano de idade: um estudo ecológico. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 3, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/HRMwSZF7GT96MMx7pBTJfkD/
UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND. The State of the World’s Children 2023: For every child, vaccination. UNICEF Innocenti – Global Office of Research and Foresight, April 2023. Disponível em: https://www.unicef.org/media/108161/file/SOWC-2023-full-report-English.pdf.
WEIL-OLIVIER, C. et al. Invasive meningococcal disease in older adults: current perspectives and call for action. European Geriatric MedicineSpringer Science and Business Media Deutschland GmbH, , 1 jun. 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38709380/
ZIMMERMANN, P.; JONES, C. E. Factors That Influence Infant Immunity and Vaccine Responses. Pediatric Infectious Disease Journal, v. 40, n. 5, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34042910/

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 André de Oliveira Paiva, Adriana Ávila Moura, Eliab Batista Barros