Resumo
Este estudo revisita o Transtorno do Jogo Patológico na era digital, explorando seus impactos psicossociais e neurobiológicos, além das consequências para a saúde mental. O objetivo principal foi realizar uma revisão de literatura sobre a evolução do transtorno, analisar os fatores psicossociais envolvidos, investigar as bases neurobiológicas associadas ao jogo patológico e revisar as atualizações sobre o diagnóstico e tratamento, com base em uma revisão sistemática. Os resultados indicam que o Transtorno do Jogo compartilha semelhanças com as dependências químicas, afetando profundamente o comportamento, as relações sociais e as funções cerebrais. Alterações no cérebro, particularmente nas áreas ligadas ao controle de impulsos e aos sistemas de recompensa, dificultam a regulação do comportamento de jogo, sugerindo que tratamentos direcionados a essas regiões podem ser eficazes. Além disso, fatores de personalidade e contextos sociais também desempenham um papel importante no desenvolvimento do transtorno, tornando o tratamento mais complexo. Embora as terapias psicológicas e farmacológicas mostrem resultados positivos a curto prazo, a manutenção desses benefícios é um desafio. As consequências do transtorno abrangem danos financeiros, sociais e psicológicos, incluindo endividamento, conflitos familiares, ansiedade, depressão e maior risco de suicídio. Fisicamente, o transtorno compromete a saúde do indivíduo devido a negligência dos cuidados pessoais. A crescente inclusão do Transtorno do Jogo nas diretrizes clínicas, juntamente com a identificação de comorbidades, como depressão e ansiedade, reforça a necessidade de um tratamento multidisciplinar, além de estratégias de prevenção e conscientização sobre os riscos do comportamento de jogo.
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