Carcinoma endometrial: características clínicas, diagnóstico, prognóstico e rastreamento.

Autores

  • CAMILLA MAGANHIN LUQUETTI Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
  • Mirian Carla Oliveira Rodrigues Faculdade da Amazônia- FAAM
  • Leonardo Dantas Fernandes Leite UNIFTC Centro Universitário
  • Josias Dorivaldo Lopes Chilunga Universidade Mandume YaNdemufayo - Angola
  • Rebeca Magalhães Cardoso Uninassau - Centro Universitário Maurício de Nassau
  • Gláuria Gabriela Valadão dos Reis UNICID - Universidade Cidade de São Paulo
  • Marcelo Marques Sobrinho Universidade Maria Auxiliadora - Paraguai
  • Alice Veras Santos Enfermeira Intensivista - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH
  • Maykon Pablo Aguiar Fenelon UNINOVAFAPI
  • Andressa Lima Nietto UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Ana Luísa Gomes Carreiro Neiva Facid Wyden
  • José Ilson Felipe da Silva Júnior Universidad Privada del Este - UPE Franco/Paraguai

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p1573-1587

Palavras-chave:

Carcinoma endometrial, Clínica, Diagnóstico, Prognóstico, Rastreamento

Resumo

Introdução: O câncer uterino é a malignidade ginecológica mais comum em países de alta renda e a segunda mais comum em países de baixa e média renda (após o câncer cervical). O adenocarcinoma endometrial é o subtipo histopatológico mais prevalente. Seu sintoma cardinal é o sangramento uterino anormal, podendo haver pacientes com achados normais na citologia cervical. A maioria é diagnosticada quando a doença está confinada no útero, com taxa de sobrevivência de 90% em 5 anos. O principal fator de risco é o excesso de estrogênio endógeno ou exógeno, sem oposição da progestina. A síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário não polipose) é fator de risco genético; a patogênese nesses casos é mutação da linha germinativa em genes de reparo de incompatibilidade de DNA. Objetivo: discutir carcinoma endometrial e seus sintomas, diagnóstico, prognóstico e rastreamento. Metodologia: Revisão de literatura a partir de artigos das bases de dados da Scielo, da PubMed e da BVS, de janeiro a março de 2024, com os descritores em inglês “endometrial carcinoma”, “clinical features”, “diagnosis” e “prognosis and screening”. Incluíram-se artigos completos dos últimos cinco anos (2019-2024), com total de 30 estudos. Após leitura, excluíram-se estudos com outros critérios, com escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e discussão: O sangramento uterino anormal ocorre em 75-90% dos casos de carcinoma endometrial, com maioria em pacientes com mais de 55 anos. Outras apresentações incluem achados anormais de citologia cervical, achados anormais em imagem ou descobertas incidentais quando a histerectomia é realizada para doença benigna. O exame pélvico geralmente é normal no estágio inicial, pois o útero não é aumentado nem sensível como em quadros mais avançados. Na pós-menopausa, o endométrio pode estar espessado em imagem uterina e, a depender do sangramento, a paciente já anêmica. O risco de câncer aumenta em relação à doença benigna à medida que a espessura endometrial se aproxima de 20 mm no ultrassom transvaginal. O diagnóstico do carcinoma é histopatológico, com amostra por biópsia endometrial, curetagem ou histerectomia. O prognóstico é determinado pelo estágio tumoral, grau e histologia da doença. A maioria possui desfecho favorável devido à histologia endometrioide e doença em estágio inicial. Conclusão: Para a maioria dos pacientes, sugere-se não realizar testes de triagem (como imagem, amostragem de tecido, citologia cervical) para carcinoma endometrial. Todas as pacientes devem ser questionadas e informadas para relatar sangramento uterino anormal. O diagnóstico precoce auxilia no estadiamento e manejo adequados.

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Publicado

2024-08-11

Como Citar

MAGANHIN LUQUETTI, C., Carla Oliveira Rodrigues, M., Dantas Fernandes Leite, L., Dorivaldo Lopes Chilunga, J., Magalhães Cardoso, R., Gabriela Valadão dos Reis, G., Marques Sobrinho, M., Santos, A. V., Pablo Aguiar Fenelon, M., Lima Nietto, A., Gomes Carreiro Neiva, A. L., & Felipe da Silva Júnior, J. I. (2024). Carcinoma endometrial: características clínicas, diagnóstico, prognóstico e rastreamento. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(8), 1573–1587. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p1573-1587